Estes trabalhos desenvolveram-se entre fevereiro de 2020 a março de 2021.
Exercitar e continuar a “sentir” o que está encoberto nas artérias das cidades, da minha relação com elas e do modo como elas respiram. São seres vivos que precisam de atenção e cuidado.
Nas paredes, nas pedras da calçada, nos parques, por todo lado, existem histórias por contar. Na perambulação vadia, o que mais me intriga, é o lado enigmático de cada uma, seu lado obscuro, a parte daquilo que queremos esconder, o que não convém ser dito, o que se apaga e se cala, um tanto de amor, um tanto de ódio.
O que precisa ser resgatado para sentirmos de que matéria são feitas as cidades?
E já agora, porquê “still life”?
Porque em pequenos detalhes do dia a dia, nos objetos à nossa volta, podemos ter um momento de encontro com o singular. Os pintores holandeses, no século XVII, já o sabiam. Chamavam a estas representações “stil leven”, mas os latinos traduziram incorretamente por “natureza morta”, modificando/eliminando o sentido de imanência do objeto representado.
A ausência da figura humana está relacionada com os excessos – estamos em toda parte, somos egocêntricos, queremos tudo à nossa imagem. Mas os objetos, como produtos criados por estes corpos, estão lá. Umas vezes identificáveis, outras vezes, aparentes.

QUEM?
Margareth Lacerda

O QUÊ?
Exposição de pintura

PARA QUEM?
Público geral

CURADORIA
Inês Flor

QUANDO?
29 de maio a 27 de junho, 2021
Terça-feira a Sábado, das 11h-19h

ONDE?
Cava.Galeria
Rua Dom Duarte, n.º53

CONTACTO
cava.galeria@gmail.com